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enquanto isso, espero a lua nova para quarto crescente.



Escrito por Fatima Dannemann às 22h48
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 loira de Liverpool


Liverpool amanheceu ensolarada naquele domingo. Pelo menos teoricamente, era manhã. Lá pelas sete horas, quase isto, um pouco menos. Mas, ainda havia noite cerrada. Um grupo descia para o café da manhã no mesmo hotel onde o Liverpool, time de football, amargava a derrota contra outro time por algo próximo a 3x2, e uma moça descia o elevador ainda em trajes de noite. Tinha os olhos visivelmente vermelhos. Teria chorado?
Ela parecia decepcionada e não parava de tentar uma ligação telefônica de todos os aparelhos disponíveis no local.
_ Será que ela caiu na mão dos hooligans?, cochichavam os amigos que tomavam o café boquiabertos de ver que a noite do Outono Inglês pode durar bem mais que um amanhecer tardio. E os resultados tanto poderiam ser deecpcionantes, como no caso da moça chorosa e que, alias, vestia uma jaqueta prateada, ou supreendentes, como no caso de duas morenas frajolas que desciam o elevador às gargalhadas justamente quando o grupo que acordava provava as toasts (torradas) com raspberry jam (a velha e boa geleia de framboesa, diga-se de passagem) de seu breakfast.
Para aquele grupo, a moçoila de jaqueta prateada, nervosa, doida para conseguir uma ligação, possível presa dos hooligans ou quase isto, parecia um personagem de filme de suspense.
_ Seria a vítima ou a criminosa?, especulavam os comensais à mesa.
Era loira como as protagonistas dos filmes de Hitchcock. Estava visivelmente em crise.
_ Foi por isso que Liverpool inspirou os Beatles. Por causa dessa vida desvairada.
Na porta da legendária cavern club, a boate onde os Beatles começaram sua carreira e que nem é mais a original, mas uma reconstrução mais que perfeita, garrafas quebradas, latas amassadas, copos plásticos, camisinhas usadas e outras coisas mais.
_ Parece a Praça Castro Alves depois do carnaval.
_ Cansada?
_ Não, decadente e degradante, apenas com o lixo da festa e mais nada.
Liverpool inspira música não por seus muros de tijolo vermelho ou por suas casas idênticas, mas por seus ares de submundo.
O lixo no ponto histórico da cidade portuária inglesa parecendo o lixo legitimamente baiano. A moça loira da jaqueta prateada chorando as dores de amores fazem jus aos Beatles. A vida é louca como uma canção piscodélica e é sempre a mesma coisa, não importa o local. Acorda-se para ver o sol nascer em Liverpool, às 7 horas'. Não, não tem sol. É noite cerrada. Aqui tem sol. Mas ninguém tem tempo de reparar nesses detalhes. A moça loira chora ao telefone. As duas moças morenas riem frenéticas. Enquanto isto, outros tomam o café da manhã. E a vida, como um show, must go on and on and on...

Escrito por Fatima Dannemann às 22h46
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repeteco de cronica antiga

Tela em branco



Maria de Fatima Dannemann


Aonde mora a inspiração? Tem gente que diz que basta ver alguma coisa interessante e produz um desenho, uma música ou um texto. Não é bem assim. Sentar-se em frente a uma tela vazia de computador e encher de letras como se fosse uma linha de montagem dessas que trabalha no piloto automático? Não é bem assim. Onde mora o assunto? Cadê o tema?
Alguém me diz para lembrar dos amores... ou das dores. Em poesia, até vá lá. Amor rima com dor. Mas, em prosa a coisa mura de figura. E o computador é implacável. Está ali com sua tela aberta, pronto para mostrar as letras trocadas as frases começadas por minúsculas, acentos que faltam, os fatais erros de concordância, as vírgulas que faltam e as que estão sobrando.
Vírgulas, tremas, til, acento agudo. Pequenos detalhes que fazem os perfeccionistas mandarem a inspiração para as cucuias. O negócio é seguir os padrões, usar as palavras corretas. Dar um molho aqui, outro acolá e mostrar que em matéria de vocabulário a pessoa é fera, se bem que muita gente nem desconfiam o significado das palavras que dizem. Inove e verá: vai ter um bocado de gente lhe chamando de doido apenas porque você inventou uma coisa diferente. Excentricidades humanas.
E os parágrafos? Onde começar? Onde acabar? Quantas linhas? Pequeno demais, coisa de criança. Grande demais, coisa de gente prolixa que não sabe mudar de assunto. O médio, que seria o correto para muitos, é tão difícil de alcançar. Mesmo que seja um médio mais flexível, daqueles que aceitam variação ou margem de erros e acertos, para mais ou para menos, um pouco maior.
Diálogos? Comece com travessão e alguem lhe pergunta: porque não botou aspas? Bote aspas e lhe perguntam pelo travessão. Use o discurso indireto e nego diz que está monótono. Coloque um itálico, ao invés de aspas ou travessão e ninguém vai entender o que está passando por sua cabeça. Essa falta de consenso acaba com qualquer inspiração e pode matar um bom diálogo entre seus personagens.
Descrever, narrar, contar histórias, tudo isto acaba sendo bem mais difícil do que sonham muitas pessoas. Culpa dos detalhes. Detalhe demais, fica monótono, detalhe de menos, incompleto. Até mesmo quando o assunto é uma simples reportagem. Tem dez fontes, ouviu nove, tem gente de menos. Se ouvir onze, não precisava tanto. Mas reportagem é outra coisa. Não precisa inspiração, bastam os subsídios.
Se o texto é encomendado, entretanto, menos mal. Pior quando não é. Pode ser uma história, um romance, uma poesia, ou mesmo um e-mail a um amigo. Se a inspiração não bate, o resultado não sai. E vai se protelando tudo até cair no esquecimento. E morre o texto... A tela do computador continuará vazia. Implacavelmente em branco a espera das palavras.



Escrito por Fatima Dannemann às 22h45
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poesia do dia

Através da janela da Lia

Fatima Dannemann

Vejo o
por do sol
da janela do oitavo andar
e peço licença poética
para falar
sobre
o concreto poético
da esquina mais próxima
e periquitos
gritam
sem licença
e o verde rompe o cinza
por que verde é a cor
de
algumas poesias
e verde é o tom da camisa do poeta
e eu não peço
licença
para soltar meu sorriso
e rio para periquitos que
voam
indiferentes
diante de janelas de blindex
e a vida é
concreta
como a fagulha de um isqueiro
que acende um cigarro
ou um
incenso
e a vida são horas de papo
sobre as idas e vindas
de vidas que
se cruzam com as vidas.
E eu peço licença ao poeta
e me dou uma pausa para
o café
e peço licença ao sol que se põe
para esperar a lua que chega de
mansinho...
E dá vontade de ninar os periquitos
de por os passaros e todo
o verde
para dormir
porque eu também estou com sono...
E faço da minha
voz
um poema
ou ladainha...
Que digam alô a beleza
e venha a noite
depois que o sol se for



Escrito por Fatima Dannemann às 22h44
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uma tipica (e careta) cidade americana

Towson, Maryland, uma dessas fotos que a gente rouba na net não sabe de que site. Esta ai a prova que Osama Bin Laden é apenas fruto de um release: não explodiram essa cidade, no leste, o supra-sumo do preconceito e da caretice americanos.
A essa altura, adolescentes babacas que se acham o máximo só porque falam inglês desde pequenos, se preparam para aqueles datings idiotas onde fazem quase tudo, mas não chegam aos finalmentes, senão papai briga...
Me batam um abacate... Mas Bush tem o povo... er, o povo tem o Bush que merece...



Escrito por Fatima Dannemann às 22h43
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