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diario da fada basica
Minhas impressões sobre o Oscar 2006 - Modelitos das estrelas: Charlise Theron jogou duro na elegancia. Lindo o vestido. Mas, se não tivesse apresentado um prêmio teria apenas assistido a cerimônia em grande estilo. - A Globo não dá para transmitir uma cerimônia do peso do Oscar ao vivo. Começou horas mais tarde, suprimiu alguns premios, não mostrou o desfile pelo tapete vermelho na entrada. - Sem falar nos palpites dos comentaristas e na tradução simultanea que matou de vez as já sem graça piadas que os americanos fazem durante a festa. - Legal a "divisão" entre os premios. Tres para cada... Pior que é quase que completamente aleatória. Pode haver especulações, mas ninguem sabe ao certo quem vai vencer. - Pelo segundo ano consecutivo, os "apostadores" e "críticos" perderam feio. O Segredo de Brokeback Mountain até levou algumas estatuetas, mas não a de melhor filme. - Crash, do mesmo roteirista de Menina de Ouro, vencedor do ano passado, foi o grande vencedor deste ano do premio de melhor filme. - A cerimônia foi pobre, chata, sem nada de novo. Os numeros musicais um tédio só e a homenagem a Robert Altman não teve a mesma empolgação da homenagem recebida por outros diretores. - Spielberg saiu esnobado. George Clooney teve seu "Boa Noite e Boa sorte" esquecidos mas levou o premio de melhor ator coadjuvante por Syriana e não ficou no prejuizo. Escrito por Fatima Dannemann às 10h33 [] [envie esta mensagem] Ilha e boca-livre elitizam o carnaval da Bahia Maria de Fatima Dannemann Lembram-se de Juliana, a primeira eliminada do Big Brother Brasil deste ano? Pois a gaúcha loirinha, ex-coelhinha da Playboy, transformada em celebridade instantânea pelas bênçãos da Rede Globo, foi vista num dos camarotes do Carnaval de Salvador. Ao lado dela, no mesmo camarote, em outros camarotes ou nos trios elétricos, uma variedade tão grande de vips, famosos, emergentes e nem-tanto que incluíram Bono, vocalista do U2, o DJ inglês Fatboy Slim, o cantor Seu Jorge e tantos artistas que mais parecia que ia ser gravada alguma novela. Enquanto os VIPs faziam caras e bocas e jogavam o cabelo para lá e pra cá ao som de Bola de Sabão, um dos hits do momento, Carlinhos Brown detonou uma crítica que acabou criando um certo desconforto para o ministro Gilberto Gil que assistia a festa em meio aos convidados de seu camarote. Brown falou que está havendo um verdadeiro apartheid no carnaval baiano e por mais que tenha havido pedidos de desculpas, o percussionista não deixa de ter razão. Os holofotes da mídia estão custando a Bahia um gradativo afastamento dos moradores da cidade que não podem bancar os abadas do bloco ou o preço de alguns camarotes pagos. Para os de Daniela Mercury, Gilberto Gil e outros onde a boca livre corre solta e o povo come e bebe sem vergonha de lembrar que em muitos outros lugares pessoas morrem de fome, o baiano mortal e comum sequer sonha com o convite. Para o “zero oitocentos” do carnaval – os organizadores, claro, correm as sacolinhas entre empresas patrocinadoras – é preciso no mínimo estar trabalhando ou a serviço de algum órgão de imprensa. Fora isso, ninguém chega perto. E não chega mesmo já que os camarotes tiraram do povo também o direito de ver os blocos das calçadas da Barra e do Campo Grande. Antes dos holofotes e camarotes, a culpa era dos isopores e carrinhos dos vendedores de bebida. Agora, inventou-se a desculpa que o carnaval baiano está sendo mostrado para o mundo inteiro e o povo engole calado. A prefeitura costumava dar uma arquibancada no Campo Grande inteiramente grátis para o povão. Mas a briga era tanta que desestimulava. Hoje, nem o empurra-empurra das calçadas sobrevive. Pipoca? Cada dia mais perigoso. O espaço entre as cordas dos blocos está limitado pelas vontades dos truculentos seguranças que separam ou unem as entidades de acordo com a ordem estabelecida pelos que resolveram organizar o carnaval e vem afastando o povo dele. O resultado disso e da dominação das atrações dos blocos com trio é que fora Salvador, poucas cidades mantêm carnaval, entre elas Porto Seguro, os trios elétricos independentes quase não aparecem, e os blocos com trio vem apresentando cada vez menos novidades. Basta o cantor se enfeitar todo e fazer discurso no palanque. Se depois de passar pelo palanque o bloco se desorganiza, ninguém nota e as TVs não mostram e os jornais não comentam. Uma prova de que o Carnaval da Bahia está se tornando um espetáculo para inglês ver ( e acabou que o rave de Fatboy Slim foi mesmo o toque mais criativo do carnaval ao lado de Carlinhos Brown que sempre apronta alguma e mostra que há vida inteligente no planeta axé) foi a Ilha da Rainha, extensão do Camarote de Daniela Mercury em plena Baia de todos os Santos para apenas 120 eleitos, foi realmente deslumbrante. Mas fora da festa e o supra-sumo do elitismo segundo alguns observadores mais críticos. Deslumbrante, claro, digno de revista de decoração, mas uma festinha de amigos que poderia ter acontecido até no São João. Caras, bocas e críticas a parte, o Carnaval de Salvador ainda consegue ser especial principalmente em termos de atrações musicais. Este ano, até Bono, do U2, deu uma canja na folia (quem pagou uma nota e esperou horas na fila para assistir o show de São Paulo deve ter reclamado, claro). Novas danças foram lançadas, A Banda Babado Novo, comandada pela cantora Claudia Leite, se firmou como uma das darlings dos teens e jovens. Entre os blocos afro que vêm resistindo às mudanças, o Olodum e o Ilê Ayiê arrastaram multidões nos desfiles do Pelourinho e Liberdade e mais uma vez o Afoxé Filhos de Gandhy encheu as ruas com o branco da paz. Pena que pouca gente viu. Espremidos por uma programação que privilegia os trios, os bloco-afro saem de madrugada. Mas ainda resistem. Buscam uma força interna que matou as escolas de samba da Bahia. Sim, aqui tinha escolas de samba. E das boas. Mas isso foi antes do axé-music. Fatima Dannemann – jornalista, registro DRT-Ba 786
Escrito por Fatima Dannemann às 10h24 [] [envie esta mensagem] Os galos já não tecem a manhã...
Fatima Dannemann
Cade os galos que teciam as manhãs? Aqui onde moro não tem galo nenhum num raio de alguns quilometros. Mas quem quer acordar com galo cantando cocororocó? Onde eu morava antes de me mudar para cá haviam galos. Isso por conta de uma favela ali perto. Toda madrugada, na mesma bat hora, o primeiro galo cantava cororocó, ai vinha o segundo galo, o terceiro e de repente era um verdadeiro coral. Ai, o liquidificador do vizinho pontualmente batia a vitamina do nenem e eu acordava. Os galos marcavam o final dos sonhos. Vai ver e por isso foram banidos das cidades grandes onde é preciso sonhar muito para aguentar o tranco. E se a vida na cidade, entre asfalto e concreto, já é complicada para os seres humanos, imagino que para os galos deve ser pior ainda. Nos prédios, não se aceitam mais cachorros, onde os galos vão morar? Ovo passou a ser um produto de supermercado e para muita gente galinha é apenas uma máquina chamada chocadeira. Ou seja: o galo em cidades grandes é animal em extinção. Não totalmente extinto, é obvio, porque na periferia, acredito, ainda deve haver galinhas. Aqui perto de onde eu moro há até vaquinhas que de vez em quando atrapalham o trânsito na hora do rush. Mas é raro vê-las passando. Quanto ao galo, na era dos frangões, chester e outros bichos esquisitos, eles ficam reservados ao jardim zoológico. Sim, ao zoo. Passei por lá e vi numa gaiola como se fosse um grou coroado ou outra dessas aves exóticas. E fica dificil tecer manhãs. Sem galo por perto, eu acabo dormindo até mais tarde. Acordo com o sol no rosto, pulo da cama e grito: "perdi a hora de novo". Boto a culpa num vizinho que nem conheço que mora numa casa com um quintal onde ele cria cachorros e um papagaio que grita o dia inteiro. "Bem que ele podia criar um galo", eu penso. Mas... Convenhamos que alguns galos não tem muita noção de hora. Cantam quando ainda é noite cerrada e vão repetindo o corocócó a noite inteira. Onde eu morava antes era assim. E os galos sumiram, mudou-se o horário da missa do galo para mais cedo e a culpa nem é do padre, mas do próprio galo que não se adaptou a vida de concreto e asfalto. E enquanto na cidade se precisa sonhar muito para aguentar o tranco, em outras partes do mundo, em lugares ditos "menos civilizados", o galo continua quebrando os sonhos e anunciando a hora de acordar. Mas ainda tece as manhãs, em companhia de outros galos. Fazendo uma verdadeira orquestra. Aqui? Bom, tenho o liquidificador do vizinho batendo a vitamina do bebê e o sol que me acorda todas as manhãs lembrando que nenhuma hora é perdida, nenhum sonho é quebrado e as manhãs podem ser tecidas por todos nós. Mesmo sem galos. Escrito por Fatima Dannemann às 10h23 [] [envie esta mensagem] |
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