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Munição fraca e pontaria errada

Fatima Dannemann

     Bang-Bang vai embora marcada como uma das piores novelas do horário das
19h (o mesmo de tramas inesquecíveis como A Viagem, Elas por Elas, Vamp, Top
Model, e tantas outras que marcaram época). A Globo mirou errado. Tinha como
alvo o plebiscito do desarmamento (deu que ficou tudo como antes) e a
munição que ela usou não passou de uns traques de massa desses que não abala
nem criancinha. A novela, que começou com autoria de Mario Prata e terminou
com outras pessoas esticando uma história que poderia até ter dado certo em
outras circunstâncias, não passou de uma colcha de retalhos de equívocos que
começa da escolha da protagonista e se espalha por todos os detalhes da
trama com excessão da abertura: sim, a abertura, com os bonequinhos, foi a
unica coisa que se salvou.
      A Globo jogou fora uma idéia que até poderia ter sido interessante.
Passada no Novo México, oeste americano, entre as cidades de Santa Fé e
Albuquerque em plena época de expansão dos Estados Unidos. Poderia ter
mostrado, de verdade, o que foi o velho oeste. Preferiu maquiar, criou uma
trama absurda protagonizada por atores fracos, sem carisma e uma delas
completamente forçada, Fernanda Lima, que desbancou atrizes profissionais
mais tarimbadas só Deus (e a cúpula da Globo) sabem com que requisitos
porque nem ao menos bonita ela é, tem péssima dicção, nenhuma expressão
(triste ou feliz a cara insossa de Diana Bullock foi sempre a mesma).
     No meio tempo em que lançou a novela - fraquíssima, a pior do horário
das sete desde Uga Uga (tão ridicula quanto, mas pelo menos com melhor
elenco) - a Globo se viu as voltas com algo que há tempos ela havia
esquecido que existia: concorrência. O povo vem aprendendo a mudar de canal
desde que a Record relançou Escrava Isaura (que está sendo reprisada aliás).
Junte-se a uma novela concorrente com velhos rostos conhecidos do povão a
fraquíssima trama cheia de nomes complicados de Bang Bang e o resultado foi
o fracasso. Primeiro falou-se que a novela ia ser encurtada em 30 capítulos.
Para desespero das pessoas que deixaram de ver novela, não foi. Mudou o
autor. Enxertaram novos personagens com atores mais carismáticos como Marcos
Pasquim e Murilo Rosa.  Não deu.
       Fernanda Lima não foi a única amadora na história. Outros artistas de
outras especialidades entraram no elenco. O problema é que Fernanda,
inegavelmente, não tem talento mas foi escalada pro papel principal.
Enquanto isso, Sidney Magal deu show como Zorroh. Carinhas bonitinhas como
Alinne Moraes e Fernanda de Freitas (essa não passa de um clone, tamanho
reduzido, de Deborah Secco, sem maiores expressividades) também passaram
despercebidas. Evandro Mesquita, vestido de mulher, conseguiu ficar ainda
mais chato do que o normal. Aliás, nada mais ridiculo do que transformar
Billy the Kid e Jesse James em travecos.
       O fato é que na sexta-feira, quando aparecer a palavra fim encerrando
definitivamente a novela (que ninguem tenha a idéia de jerico de reprisá-la
no V ale a Pena ver de novo), a sensação do público será "já vai tarde". E
já foi mesmo. Com esta novela, a Globo afastou de si uma fatia de público
que passou a fazer outras coisas no horário das 19 (quase 20h, aliás, já que
todo dia a novela começa mais tarde e termina mais cedo). Culpa de quem?
Está na hora da Globo pensar que o povo não é burro, sabe escolher e é o
publico quem manda na emissora. Se todo mundo preferir desligar a TV do que
assistir porcaria...

Escrito por Fatima Dannemann às 18h01
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