| ||||
|
diario da fada basica Crônica sobre a volta do sol e outros momentos decisivos Fatima Dannemann Quem é o bandido de Belíssima, a novela das oito? Quem vai vencer a Copa do Mundo? Será que as CPIs da vez vão acabar em pizza? Enquanto o brasileiro se debate entre essas questões (cruciais ou não) o sol volta e há quem pense em bobagens mais simples: onde passar o São João? É cafonice calçar bota na Bahia? A meteorologia anuncia mais uma frente fria, de preferência para o fim de semana. Mas quem agüenta ficar em casa mais um fim de semana? E tome novela, flashes dos preparativos para o campeonato de futebol que mais atrai os brasileiros, noticiário de Brasília, destinos da Varig. Ah, sim... Os destinos da Varig, sem ela, ir a Copa ou a qualquer outro canto do mundo, nesse momento, ficará mais complicado. Principalmente para quem é sócio do programa de milhagens. E vêm mais questões: A Varig vai ser leiloada? Será que vale a pena aproveitar as promoções da concorrência? Poxa, e quem nunca viajou de avião antes? O Aeroporto vira quase uma rodoviária: gente com sanduíche, água mineral, uma bagagem de mão enorme só para ir até São Paulo. Ah, e pela bagatela de alguns reais ida e volta, com passagem comprada pela internet. Até ricos, com Mercedes e BMW na garagem, aproveitam a oferta para um obvio momento de casquinhagem: e vamos passar o fim de semana em Fortaleza, que é bem longe. Enquanto isso, o sol voltou. O céu está de brigadeiro e aliás, boa noticia para quem adora brigadeiro: chocolate não é tão ruim para a saúde como se pensava. Pelo contrário: previne depressão endógena e tem colesterol bom. Pois é, mais uma pesquisa feita por aborigenes, esquimós ou outras tribos saradissimas por natureza por causa do trabalho braçal e corridas na selva. A culpada? Vitória, de Belíssima, que obriga as mulheres a vestir longo as 11h da manhã e colocar minicasaquinhos de tricô em cima do vestidinho de verão. As griffes devem estar querendo matar os donos da Belíssima e enquanto isso, Silvio de Abreu tripudia da inteligência do público: revive cadáveres, transforma bandidos em mocinhos e a idiota da Julia confessa a Nikos que ainda ama o bandido do André. Ora, ninguém precisa ser burro para ser bom. Enquanto faz frio de norte a sul do Brasil, a Seleção brasileira joga de short e goleia num amistoso na Suíça, e Érika (ainda Belíssima) descobre que tem pai dono de agência de modelo vestindo bermudão em pleno outono de São Paulo. E quando acaba, alguém pergunta: será cafonice calçar bota na Bahia? A essa altura do campeonato, tudo é possível até alguma das CPIs não acabar em pizza. Será que vem o hexa? Quantas abobrinhas Galvão Bueno há de dizer durante a Copa do Mundo? A Globo ainda força a barra e chama Ronaldo (que mais parece a Mônica: gordo e dentuço) de fenômeno. Quer por que quer que a estrela patrocinada pela multinacional do esporte seja o máximo. E no Faustão, mais um concurso de dança de salão com um time esdrúxulo: campeão de corrida, dois atores veteranos e envelhescentes, uma modelo, atrizes emergentes, alguns egressos da Malhação, um júri tosco com gente que entende muito de dança e gente que não entende nada de assunto nenhum mas tem a cara até bonitinha. E ainda assim é o melhor momento do programa que já morreu e não sabe mas a Globo ainda insiste em enfiar goela adentro do telespectador achando que quem senta em frente a TV é obrigado a engolir qualquer besteira. E há questões cruciais a serem resolvidas como koan zen: como ir ao trabalho quando ônibus fazem greve? Onde ver os jogos do Brasil? Que aula fazer na academia de ginástica. E enquanto meninas pulam no jump, uma multidão pulula nos pontos a espera do ônibus que não vem. Espertos aproveitam e faturam algum. Agencias de viagem solucionam o problema das passagens e oferecem roteiros para o São João. E o sol volta a brilhar indiferente às questões, cruciais ou não. E a vida é assim: uma teia de perguntas. Onde está a resposta? Escrito por Fatima Dannemann às 20h11 [] [envie esta mensagem] |
||
![]() | ||